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Nem
o mais ortodoxo defensor da tese de que o HIV causa Aids seria capaz de
negar os efeitos colaterais das drogas que combatem o vírus. Os
mais conhecidos são náuseas, irritações de
pele, cansaço excessivo, diarréia e dores musculares. Os
defensores da tese dominante reconhecem que essas drogas têm efeitos
prejudiciais ao indivíduo. Mesmo assim, defendem que elas compensam
o sofrimento que causam. Segundo especialistas brasileiros que defendem
a ligação entre Aids e HIV, há estatísticas
do Ministério da Saúde mostrando que, depois de 1996, as
internações e os óbitos causados por doenças
relativas à Aids caíram drasticamente. Desde então
vem sendo oferecida sistematicamente aos brasileiros a terapia HAART (sigla
em inglês para Terapia Anti-Retroviral Altamente Ativa), muito mais
eficaz do que os antigos tratamentos contra Aids. Isso provaria que medicamentos
anti-HIV combatem a Aids, exatamente o contrário do que afirma
Duesberg.
Muitos especialistas nem se dispõem a argumentar contra os "rebeldes".
O caso mais notório é o de Robert Gallo, que perdeu para
Montagnier uma disputa de anos sobre quem seria o autor da descoberta
do HIV. Amigo e companheiro de pesquisas de Duesberg durante mais de 15
anos, hoje Gallo acredita que as idéias do ex-colega "não
merecem uma resposta". Stefano Lazzari, membro da Organização
Mundial de Saúde, reagiu da mesma forma ao tomar conhecimento das
críticas do matemático australiano Mark Craddock, partidário
de Duesberg, que defende a tese de que os dados sobre a Aids na África
são exagerados. "Nós normalmente não respondemos
a esse tipo de declaração não-científica",
afirma Lazzari. "Indivíduos que acham moralmente aceitável
tentar alcançar fama negando o desastre que a Aids está
trazendo aos países africanos não merecem muita atenção."
Craddock afirma que os números de casos africanos de Aids mencionados
pela mídia e pela indústria são previstos por um
modelo de computador da ONU. "Em tudo o que se escreve sobre o assunto,
as figuras citadas são os casos estimados, não o número
de casos registrados." No caso de Uganda, segundo dados da OMS, haveria
820 000 casos em 1999. Mas o número registrado pelos médicos
daquele país chega apenas a 54 712. Lazzari defende a tese de que
o modelo é necessário, já que na África não
há estrutura adequada para o registro dos casos da síndrome.
"Nós estimamos que menos de 10% dos casos de Aids são
realmente reportados, devido a fraquezas do sistema de informação
e a dificuldades no diagnóstico", diz ele. De acordo com Lazzari,
os quase 800 000 casos registrados de 1980 a 1999 significariam mais de
oito milhões de doentes de Aids na África.
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