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Os
"rebeldes da Aids" surgiram em 1991. Seu nome oficial é
Grupo para a Reavaliação Científica da Hipótese
HIV/Aids, que hoje conta com mais de 600 cientistas em diversos países.
(Duesberg só se juntou a eles em 1993.) Todos eles acreditam que
não existem evidências suficientes para atribuir a síndrome
ao vírus. (Duesberg cita 4 000 casos de Aids no mundo cujos pacientes
não tinham o HIV.) O assunto é tão polêmico que
mesmo entre os cientistas do Grupo há várias interpretações.
A biomédica australiana Eleni Papadopulos-Eleopulos, fundadora do
Grupo, é da facção mais radical: ela sustenta desde
1988 que o HIV simplesmente não existe, por mais que já tenha
sido fotografado com microscópios e geneticamente seqüenciado
- Duesberg a critica veementemente por isso. Mas o membro mais ilustre do
Grupo talvez seja Kary Mullis, que ganhou o Prêmio Nobel de Química
em 1993 por ter inventado o PCR (sigla em inglês para Reação
em Cadeia da Polimerase), um método de identificação
genética fundamental para a pesquisa contemporânea, incluindo
o Projeto Genoma - e a forma mais eficaz para identificar a presença
do HIV no corpo. Conhecido por seu perfil polêmico - discorda que
a camada de ozônio esteja diminuindo, por exemplo - ele abandonou
as pesquisas há algum tempo.
Duesberg mantém basicamente as mesmas posições desde
o final dos anos 80. Ele aceita a definição corrente da Aids:
um conjunto de doenças que ataca as vítimas devido à
destruição de seu sistema imunológico. A sua divergência
com a tese dominante está nas causas da síndrome. Em vez de
ser contagiosa, a Aids seria um problema comportamental, ou uma "epidemia
química". Em um artigo publicado em parceria com o colega David
Rasnick, em 1997, na revista Continuum, publicação
ligada ao Grupo para a Reavaliação Científica da Hipótese
HIV/Aids, Duesberg formulou os pontos principais da sua hipótese.
Segundo ela, todas as doenças relacionadas à Aids que excedem
o seu nível normal nos Estados Unidos são causadas pelo consumo
de drogas recreacionais ou medicamentos anti-HIV. "Essa hipótese
é baseada no único risco novo à saúde que emergiu
durante os últimos 25 anos na América e na Europa: a epidemia
das drogas", escrevem os autores.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças
dos Estados Unidos (CDC), até 1999 cerca de 85% dos casos de Aids
naquele país ocorriam em homens - em sua esmagadora maioria homossexuais
e usuários de drogas. "Isso se explica porque lá cerca
de 80% dos usuários de drogas intravenosas são homens e porque
homossexuais masculinos usam drogas afrodisíacas, anfetaminas e cocaína",
afirma Duesberg. E também porque o comportamento promíscuo,
que seria mais comum entre os indivíduos desse grupo, implicaria
em uma série de doenças que debilitariam o sistema imunológico.
Para Duesberg, se a Aids fosse realmente contagiosa deveria ter se espalhado
uniformemente pela população norte-americana. Mas e a África?
Lá a síndrome ataca igualmente homens e mulheres. Duesberg
rebate: a causa de imunodeficiência naquele continente não
são as drogas, mas a fome. Na realidade africana, portanto, faria
muito sentido o fato de a síndrome atingir igualmente os dois sexos
- já que ambos são da mesma forma vulneráveis à
falta de comida e aos estragos que a subnutrição faz no sistema
imunológico. |
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